É aflitivo ver a forma como a cultura de violência se tem vindo a instalar na nossa sociedade. A sociedade ocidental, em geral, falhou.
Falhou na forma como se tornou laica porque não substitui a moral religiosa por outra moral qualquer. Há um vazio completo de ética, não há modelo comportamental, assim sendo o homem regride para a barbárie. A Lei sofreu uma evolução no sentido da complexidade e da especilização das suas actividades (Magistrados, legisladores e advogados) que a afastou dos cidadãos, criou-se então um vazio que a moral religiosa ocupou, mas com a evolução da sociedade para uma mais laica o vazio das normas de conduta voltou a surgir.
A minha geração e as seguintes foi educada num ambiente de falta de regras éticas universais. Os meus pais deram-me uma formação ética, mas os valores que me transmitiram não coincidiam com os dos meus companheiros de geração, houve choques e desavenças por faltar um conjunto de valores éticos comuns. Longe de mim defender um regime espartano que elimine o direito à diferença, mas uma "Cidade" deve ter uma cultura dominante, e parte inportante dessa cultura é a ética, o conjunto de regras comportamentais reconhecida por todos e seguida pela maioria.
A ética dominante no momento actual da nossa sociedade é: Obtém os objectos que quiseres recorrendo aos métodos que puderes.
Vai? Racha? ...
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2006/10/18
2006/10/17
Não queriam mais nada...
Num sondagem recente cerca de metade dos espanhóis disse defender a união en tre Portugal e Espanha. Destes metade defendeu que a união se chamasse Espanha e que se mantivesse monárquica.
Não são nada meiguinhos a pedir o nossos vizinhos.
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=733300&div_id=291
No contexto da União Europeia não faz sentido nenhum pensar-se numa união. Nenhuma vantagem viria para Portugal com essa união. As decisões a ser tomadas seriam as mesmas, o espectro político dos países é o mesmo, Espanha ficaria com um problema económico, Portugal perdia autonomia, Espanha ganhava mais uma região com identidade vincada. Só problemas para os dois lados.
Equanto os dois países forem democracias integradas na União Europeia uma "União Ibérica" é um disparate.
Estas uniões só se fazem à força, vide País Basco, Catalunha e Galiza. Seja a força cntitucional ou militar. A eventual integração de Portugal seria o fim de Espanha e o início de uma guerra étnica na península.
Não são nada meiguinhos a pedir o nossos vizinhos.
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=733300&div_id=291
No contexto da União Europeia não faz sentido nenhum pensar-se numa união. Nenhuma vantagem viria para Portugal com essa união. As decisões a ser tomadas seriam as mesmas, o espectro político dos países é o mesmo, Espanha ficaria com um problema económico, Portugal perdia autonomia, Espanha ganhava mais uma região com identidade vincada. Só problemas para os dois lados.
Equanto os dois países forem democracias integradas na União Europeia uma "União Ibérica" é um disparate.
Estas uniões só se fazem à força, vide País Basco, Catalunha e Galiza. Seja a força cntitucional ou militar. A eventual integração de Portugal seria o fim de Espanha e o início de uma guerra étnica na península.
2005/12/07
Olá
Aqui estou novamente, ainda anda por aí alguém?
Com as mudanças feitas, já tenho mais vagar para escrever.
E sobre o quê? Que tal sobre os crucifixos nas escolas?
A constituição define a república portuguesa como um estado laico onde há liberdade religiosa. Num estado laico as escolas estatais não devem ter quaisquer símbolos religiosos para evitar que as crianças sejam levadas a pensar, erroneamente, que essa é a opção religiosa defendida pelo sistema educativo do estado.
Tirem os pauzinhos da parede e ponham um paninho com a bandeira da república. Cante-se o hino uma vez por semana e ensine-se a Constituição de 1976, com as respectivas revisões, ensinem-se os princípios de liberdade de expressão, de igualdade perante a lei, de liberdade de pensamento, enfim de democracia que a nossa Constituição defende.
A tradição vale o vale, tem coisas boas e tem coisas más. Há que ter critério e ética para defender o que é bom e eliminar o que é mau. Um cozido à portuguesa é bom, uma tourada nem por isso; um fado é bom, a discriminação das mulheres nem por isso; as fogueiras dos santos populares são boas, as fogueiras do terreiro do paço nem por isso.
Se não souberem o que fazer com os pauzinhos e com a tradição podem entregar-mos que dão sempre jeito para acender as fogueiras.
Viva a República e a Constituição!
Com as mudanças feitas, já tenho mais vagar para escrever.
E sobre o quê? Que tal sobre os crucifixos nas escolas?
A constituição define a república portuguesa como um estado laico onde há liberdade religiosa. Num estado laico as escolas estatais não devem ter quaisquer símbolos religiosos para evitar que as crianças sejam levadas a pensar, erroneamente, que essa é a opção religiosa defendida pelo sistema educativo do estado.
Tirem os pauzinhos da parede e ponham um paninho com a bandeira da república. Cante-se o hino uma vez por semana e ensine-se a Constituição de 1976, com as respectivas revisões, ensinem-se os princípios de liberdade de expressão, de igualdade perante a lei, de liberdade de pensamento, enfim de democracia que a nossa Constituição defende.
A tradição vale o vale, tem coisas boas e tem coisas más. Há que ter critério e ética para defender o que é bom e eliminar o que é mau. Um cozido à portuguesa é bom, uma tourada nem por isso; um fado é bom, a discriminação das mulheres nem por isso; as fogueiras dos santos populares são boas, as fogueiras do terreiro do paço nem por isso.
Se não souberem o que fazer com os pauzinhos e com a tradição podem entregar-mos que dão sempre jeito para acender as fogueiras.
Viva a República e a Constituição!
2005/07/06
Crise
As duas faces da crise económica:
O défice do comércio extra-comunitário aumentou 34%.
O número de viagens turísticas por residentes em Portugal aumentou 16%.
O défice do comércio extra-comunitário aumentou 34%.
O número de viagens turísticas por residentes em Portugal aumentou 16%.
2005/07/04
Portugal vs. Espanha
Muito se fala de quão mais baratas são as coisas em Espanha e de quão alto é o ordenando mínimo espanhol, no entanto a realidade é bem diferente daquilo que a comunicação social transmite.
Vejamos:
O salário mínimo espanhol corresponde a 490€, o português a 365€ que é 34% menos do espanhol. No caso português há que acrescentar o subsídio de almoço que é obrigatório em empresas sem refeitório, chegando aos 430€. A diferença, havendo subsídio de almoço, é de 60€.
O preço de produtos alimentares é em Espanha 1,7% inferior ao preço dos mesmos produtos em Portugal, mas na França os mesmos produtos custam 69% mais do que em Portugal.
O preço médio do metro quadrado da habitação em Madrid, Barcelona ou Bilbao ronda os 2700€, em Lisboa esse preço médio anda pelos 1600€.
É verdade que o ordenado médio espanhol ronda os 1600€, enquanto o português se fica pelos 850€, mas há que reconhecer que boa parte dos ordenados em Portugal passa por debaixo da mesa.
O desemprego em Espanha anda pelos 9%, um valor baixo; em portugal pelo 6,5%, um valor alto.
Em vez de estarmos constantemente a chorar e a dizer que porcaria de país temos, devemos levantar a cabeça e trabalhar, não estamos na cauda na europa a não ser na nossa auto-estima!
Fontes:
INE (Potugal)
INE (Espanha)
Documento DGCC
Vejamos:
O salário mínimo espanhol corresponde a 490€, o português a 365€ que é 34% menos do espanhol. No caso português há que acrescentar o subsídio de almoço que é obrigatório em empresas sem refeitório, chegando aos 430€. A diferença, havendo subsídio de almoço, é de 60€.
O preço de produtos alimentares é em Espanha 1,7% inferior ao preço dos mesmos produtos em Portugal, mas na França os mesmos produtos custam 69% mais do que em Portugal.
O preço médio do metro quadrado da habitação em Madrid, Barcelona ou Bilbao ronda os 2700€, em Lisboa esse preço médio anda pelos 1600€.
É verdade que o ordenado médio espanhol ronda os 1600€, enquanto o português se fica pelos 850€, mas há que reconhecer que boa parte dos ordenados em Portugal passa por debaixo da mesa.
O desemprego em Espanha anda pelos 9%, um valor baixo; em portugal pelo 6,5%, um valor alto.
Em vez de estarmos constantemente a chorar e a dizer que porcaria de país temos, devemos levantar a cabeça e trabalhar, não estamos na cauda na europa a não ser na nossa auto-estima!
Fontes:
INE (Potugal)
INE (Espanha)
Documento DGCC
2005/04/22
Rússia tenta resistir ao avanço do império americano
A rússia continua a tentar proteger as suas fronteiras dos avanços americanos, aliando-se a regimes autoritários e expansionistas como o da Síria.
A venda de mísseis terra-ar para proteger o espaço aéreo da Síria num momento em que os EUA fornecem novos caças a Israel, além de pressionarem fortemente a Síria para haverem mudanças políticas, é mais um movimento num jogo de poder que nunca deixou de existir.
Al Jazeera
A venda de mísseis terra-ar para proteger o espaço aéreo da Síria num momento em que os EUA fornecem novos caças a Israel, além de pressionarem fortemente a Síria para haverem mudanças políticas, é mais um movimento num jogo de poder que nunca deixou de existir.
Al Jazeera
2005/02/20
Não é pouco
Não é pouco haver eleições.
Não é pouco um partido deixar o poder.
Não é pouco um líder demitir-se das suas funções.
Nada disto é pouco, nada disto é normal nem na história do homem nem no momento actual do homem.
Não é pouco um partido deixar o poder.
Não é pouco um líder demitir-se das suas funções.
Nada disto é pouco, nada disto é normal nem na história do homem nem no momento actual do homem.
2005/01/31
A águia aproxima-se da toca do urso ferido
Uma nova guerra fria começa a surgir, com os mesmos protagonistas, mas sem o equilíbrio de antes.
De um lado um império em expansão, moralizado pela recentes vitórias, agressivo e ameaçador. A águia sobrevoa os coelhos e prepara-se para atacar mais uma vez.
O voo
Do outro lado um urso ferido esconde-se nas ruínas do império caído e planeia juntar as peças para reconstruir a sua casa.
A ferida
Uma matilha de impérios junta-se para construir algo de novo, mas pode ser apanhada entre a águia e urso. Uma e outro quererão a matilha do seu lado, esta corre o risco de se dividir em duas, ou de ser arrastada para um conflito a que é alheia. Espermos que não.
De um lado um império em expansão, moralizado pela recentes vitórias, agressivo e ameaçador. A águia sobrevoa os coelhos e prepara-se para atacar mais uma vez.
Do outro lado um urso ferido esconde-se nas ruínas do império caído e planeia juntar as peças para reconstruir a sua casa.
Uma matilha de impérios junta-se para construir algo de novo, mas pode ser apanhada entre a águia e urso. Uma e outro quererão a matilha do seu lado, esta corre o risco de se dividir em duas, ou de ser arrastada para um conflito a que é alheia. Espermos que não.
2005/01/26
Outro imperio que se expande...
2005/01/18
O império expande-se
Há poucos dias fiquei um pouco chocado por ver o comentários de alguns iranianos no site da Aljazeera a um artigo que indicava que os americanos estavam a espiar o Irão. Fiquei com a impressão que aquelas pessoas eram um pouco paranóicas.
Mas hoje leio esta notícia do Público e aquilo que li escrito por iranianos já não me parece tão paranóico.
Depois de conquistarem o Afeganistão e o Iraque os americanos preparam-se para atacar a Síria e o Irão. A Rússia começa a não gostar de ter tropas americanas em todos os seus vizinhos do sul, ainda na semana passada fez um acordo de cooperação defensiva com o Irão (contra invasões Extraterrestres, é verdade, mas é um acordo).
O império dos Estados Unidos expande-se. O que me preocupa é que esta política foi tacitamente sancionada pelos cidadãos americanos, eles escolheram este presidente, esta política.
Mas hoje leio esta notícia do Público e aquilo que li escrito por iranianos já não me parece tão paranóico.
Depois de conquistarem o Afeganistão e o Iraque os americanos preparam-se para atacar a Síria e o Irão. A Rússia começa a não gostar de ter tropas americanas em todos os seus vizinhos do sul, ainda na semana passada fez um acordo de cooperação defensiva com o Irão (contra invasões Extraterrestres, é verdade, mas é um acordo).
O império dos Estados Unidos expande-se. O que me preocupa é que esta política foi tacitamente sancionada pelos cidadãos americanos, eles escolheram este presidente, esta política.
2005/01/13
Tratado Constitucional
Apesar da polémica à volta do formato da pergunta que será apresentada no referendo para a ratificação do tratado constitucional, o que realmente é importante é que os cidadãos saibam o que estão a votar.
Para isso deve haver um amplo debate sobre o tratado e as suas implicações, deve haver uma campanha de informação à escala nacional e até à escala da União, pois é importante compreender o que os outros membros da união pensam do tratado.
Em Espanha já se prepara essa campanha, em que a televisão e rádio públicas assumiram o papel de veículo da informação.
Tenho esperança de que o mesmo aconteça por cá.
Para isso deve haver um amplo debate sobre o tratado e as suas implicações, deve haver uma campanha de informação à escala nacional e até à escala da União, pois é importante compreender o que os outros membros da união pensam do tratado.
Em Espanha já se prepara essa campanha, em que a televisão e rádio públicas assumiram o papel de veículo da informação.
Tenho esperança de que o mesmo aconteça por cá.
2005/01/07
Estes russos são loucos
Segundo uma notícia publicada na edição inglesa do jornal Pravda não está posta de parte a utilização, pelos americanos, nas eleições presidências da Ucrânia de equipamentos que têm a capacidade de influenciar pessoas a milhares quilómetros de distância.
Só se pode concluir que os americanos são um bocado básicos, senão porque é que ainda não usaram esses equipamentos para convencer o Bin Laden a render-se?
Só se pode concluir que os americanos são um bocado básicos, senão porque é que ainda não usaram esses equipamentos para convencer o Bin Laden a render-se?
2005/01/05
Espanha com morte anunciada?
Com o Plano Ibarretxe o Partido Nacionalista Vasco (PNV) pretende alcançar a independência para o país basco (euskadi), seguindo uma via legal e democrática que passará por alterar a constituição da Monarquia Espanhola.
O próximo passo do plano será um referendo onde a população basca poderá expressar a sua opinião em relação ao tema da independência. Mas este novo estatuto será algo diferente daquilo que é o resultado normal num processo de independência, o plano prevê um País Basco integrado na União Europeia com livre circulação de bens e pessoas; e até com uma relação de qualquer género com o estado espanhol, embora me pareça que essa relação seria sempre de curta duração.
O voto favorável ao Plano poderia ser aproveitado, pela ETA, como argumento de que a população basca apoia a causa separatista, o voto desfavorável não será tão conclusivo porque há a questão de definição da população basca. Não uma resposta consensual à questão "Quem são os bascos?", para o governo central são todos aqueles com residência na comunidade autónoma do "País Vasco"; outros opinam que apenas aqueles que se identificam com a cultura basca são bascos, sendo o domínio da língua basca (euskera) um factor determinante; há também a opinião, mais radical, de que bascos são os que têm os dois apelidos bascos, ou até apenas os que têm os quatros costados bascos.
Segundo números oficiais cerca de 60% da população de euskadi fala euskera, num cenário em que o voto contra o plano ganhe por uma margem pequena a ETA poderá argumentar que o referendo é inválido por dar o direito ao voto a cidadãos espanhóis não bascos.
Em qualquer dos casos a ETA poderá sempre continuar a actuar de acordo com a sua lógica de violência e terror.
Se o Plano acabar por ser aplicado o que fará a Catalunha, onde o partido Esquerda Republicana Catalã (ERC) defende uma solução semelhante à do PNV, e que fará o Bloco Nacionalista Galego (BNG) na Galiza? Será este um prenúncio de morte da Espanha?
O próximo passo do plano será um referendo onde a população basca poderá expressar a sua opinião em relação ao tema da independência. Mas este novo estatuto será algo diferente daquilo que é o resultado normal num processo de independência, o plano prevê um País Basco integrado na União Europeia com livre circulação de bens e pessoas; e até com uma relação de qualquer género com o estado espanhol, embora me pareça que essa relação seria sempre de curta duração.
O voto favorável ao Plano poderia ser aproveitado, pela ETA, como argumento de que a população basca apoia a causa separatista, o voto desfavorável não será tão conclusivo porque há a questão de definição da população basca. Não uma resposta consensual à questão "Quem são os bascos?", para o governo central são todos aqueles com residência na comunidade autónoma do "País Vasco"; outros opinam que apenas aqueles que se identificam com a cultura basca são bascos, sendo o domínio da língua basca (euskera) um factor determinante; há também a opinião, mais radical, de que bascos são os que têm os dois apelidos bascos, ou até apenas os que têm os quatros costados bascos.
Segundo números oficiais cerca de 60% da população de euskadi fala euskera, num cenário em que o voto contra o plano ganhe por uma margem pequena a ETA poderá argumentar que o referendo é inválido por dar o direito ao voto a cidadãos espanhóis não bascos.
Em qualquer dos casos a ETA poderá sempre continuar a actuar de acordo com a sua lógica de violência e terror.
Se o Plano acabar por ser aplicado o que fará a Catalunha, onde o partido Esquerda Republicana Catalã (ERC) defende uma solução semelhante à do PNV, e que fará o Bloco Nacionalista Galego (BNG) na Galiza? Será este um prenúncio de morte da Espanha?
2004/12/20
Bússula Política
Respondi ao questionário do Political Compass, Bússula Política na versão portuguesa disponível no Público, e devo dizer que fiquei surpreendido com o resultado:
Esquerda / Direita: -2.75
Autoritarismo / Libertarianismo: -5.79
Sempre me considerei democrata com tendências anarquistas, mas nunca do centro esquerda... à direita do Socrates?!!!
Fiquei ainda mais chocado quando li, no artigo da autoria de Pedro Magalhães, que "não é por acaso que a maior parte dos bloggers portugueses que vão divulgando os resultados que obtêm no Political Compass, mesmo os que se definem “à direita”, apareçam, por vezes para seu enorme espanto, na “esquerda libertária”. “Esquerda” porque vivem em Portugal e na Europa, partilhando, talvez sem disso se darem conta, dos seus consensos." Disto entendo que o centro dos valores económicos na europa está mais à esquerda do que o centro noutros países, será que os meus -2.75 representarão o centro do eixo económico na Europa?!
Enfim...
nosce te ipsum
A nossa existência é feita de uma sequência de mortes e renascimentos, o nosso eu vai morrendo e outros vão nascendo ao longo do tempo. Há momentos em que nos apercebemos da mudança, que é inevitável, e neles devemos assinar a certidão de óbito do eu morto para receber com alegria o eu acabado de nascer.
Esquerda / Direita: -2.75
Autoritarismo / Libertarianismo: -5.79
Sempre me considerei democrata com tendências anarquistas, mas nunca do centro esquerda... à direita do Socrates?!!!
Fiquei ainda mais chocado quando li, no artigo da autoria de Pedro Magalhães, que "não é por acaso que a maior parte dos bloggers portugueses que vão divulgando os resultados que obtêm no Political Compass, mesmo os que se definem “à direita”, apareçam, por vezes para seu enorme espanto, na “esquerda libertária”. “Esquerda” porque vivem em Portugal e na Europa, partilhando, talvez sem disso se darem conta, dos seus consensos." Disto entendo que o centro dos valores económicos na europa está mais à esquerda do que o centro noutros países, será que os meus -2.75 representarão o centro do eixo económico na Europa?!
Enfim...
nosce te ipsum
A nossa existência é feita de uma sequência de mortes e renascimentos, o nosso eu vai morrendo e outros vão nascendo ao longo do tempo. Há momentos em que nos apercebemos da mudança, que é inevitável, e neles devemos assinar a certidão de óbito do eu morto para receber com alegria o eu acabado de nascer.
2004/09/22
Duas posições antagónicas.
Por um lado José Luis Zapatero, o actual presidente do governo espanhol, apela ao diálogo e às soluções não militares para lidar com o terrorismo, afirma que é necessário evitar que surjam barreiras onde elas não existem, entre o Islão e o dito mundo ocidental, e que é necessário encontrar as causas racionais para o terrorismo de forma a encontrar soluções racionais. Defende também o conhecimento mútuo e programas de aproximação cultural e educativa.
Por outro lado José María Aznar disse: “España rechazó ser un trozo más del mundo islámico cuando fue conquistada por los moros, rehusó perder su identidad.”. O anterior presidente do governo espanhol adoptou uma tese de conflito milenar entre dois grupos humanos, com culpa clara para os que agrediram primeiro, em que a única solução é manter o estado das coisas ad aeternum.
Para o senhor Aznar a Espanha tem as suas raízes no reino Visigodo e as influências posteriores, aparentemente porque resultantes de uma invasão, são contrárias à identidade espanhola. Mas ignorar a influência que a cultura árabe teve e tem na península é uma forma de trair a identidade espanhola e portuguesa. Quer queiramos aceitá-lo ou não muitos dos nossos antepassados eram árabes e muçulmanos, “limpar” a identidade Espanhola dessa influência é uma manipulação da realidade. Este tipo de argumento, de renunciar a identidade cultural e histórica com outros grupos humanos, é utilizado pelos bascos em relação à Espanha romanizada e arabizada, é utilizado no médio oriente e em inúmeros conflitos.
Alimentar a diferença é alimentar o ódio. Alimentar a proximidade é alimentar a paz.
Por outro lado José María Aznar disse: “España rechazó ser un trozo más del mundo islámico cuando fue conquistada por los moros, rehusó perder su identidad.”. O anterior presidente do governo espanhol adoptou uma tese de conflito milenar entre dois grupos humanos, com culpa clara para os que agrediram primeiro, em que a única solução é manter o estado das coisas ad aeternum.
Para o senhor Aznar a Espanha tem as suas raízes no reino Visigodo e as influências posteriores, aparentemente porque resultantes de uma invasão, são contrárias à identidade espanhola. Mas ignorar a influência que a cultura árabe teve e tem na península é uma forma de trair a identidade espanhola e portuguesa. Quer queiramos aceitá-lo ou não muitos dos nossos antepassados eram árabes e muçulmanos, “limpar” a identidade Espanhola dessa influência é uma manipulação da realidade. Este tipo de argumento, de renunciar a identidade cultural e histórica com outros grupos humanos, é utilizado pelos bascos em relação à Espanha romanizada e arabizada, é utilizado no médio oriente e em inúmeros conflitos.
Alimentar a diferença é alimentar o ódio. Alimentar a proximidade é alimentar a paz.
2004/09/09
Sudão
Finalmente os Estados Unidos consideraram que o que está a ocorrer no Sudão é um genocídio.
Esperemos que, agora, haja acção no sentido de parar o processo de limpeza étnica que estar a acontecer.
A minha esperança de que isso aconteça não é muita...
Esperemos que, agora, haja acção no sentido de parar o processo de limpeza étnica que estar a acontecer.
A minha esperança de que isso aconteça não é muita...
2004/08/06
Sudão e o poder.
1 - O Sudão é um país que serviu de base a Bin Laden, onde ele tinha campos de treino e interesses económicos consideráveis, e onde durante alguns anos.
2 - Os Americanos consideraram, há alguns anos, justificável o bombardeamento de uma fábrica em território sudanês, por produzir armas químicas ou componentes para o seu fabrico.
3 - O governo sudanês protege com a sua inépcia as acções de grupos armados que atacam uma parte da população do seu país.
4 - O Sudão vive há anos uma guerra civil que provocou grande mortandade e várias crises humanitárias.
5 - As autoridades do Sudão demonstraram desrespeito pelas instituições internacionais, respondendo com ameaças às decisões emanadas da ONU.
Não foram estes argumentos os necessários para a intervenção Anglo-Americana no Iraque? Fico preocupado pela ambiguidade das regras que regem a actualidade, faz-me lembrar o tempo em que as leis não eram escritas e em que quem detinha o poder de julgar e penalizar acabava por deter todo o poder.
O que acontece em Darfur é inadmissível, é um crime público contra a humanidade, e faz falta um poder judicial com competência para acusar os responsáveis. Infelizmente os EUA são os maiores adversários do TPI, que tanta falta nos faz.
Não era suposto evitar que se repetisse o que aconteceu no Ruanda? Deve a Europa permitir que isto aconteça? Onde estão as forças de intervenção rápida? Se vamos ter uma super potência que de uma forma ou outra dominará o mundo, que seja uma com princípios. Criem a porra da Força de Intervenção Rápida da UE e ajam no Sudão, na Serra Leoa, na Colômbia, nas Filipinas, na Chechénia, na Libéria.
Devemos dar o exemplo da acção, mesmo que militar, mas dentro da legalidade através do TPI e da ONU.
2 - Os Americanos consideraram, há alguns anos, justificável o bombardeamento de uma fábrica em território sudanês, por produzir armas químicas ou componentes para o seu fabrico.
3 - O governo sudanês protege com a sua inépcia as acções de grupos armados que atacam uma parte da população do seu país.
4 - O Sudão vive há anos uma guerra civil que provocou grande mortandade e várias crises humanitárias.
5 - As autoridades do Sudão demonstraram desrespeito pelas instituições internacionais, respondendo com ameaças às decisões emanadas da ONU.
Não foram estes argumentos os necessários para a intervenção Anglo-Americana no Iraque? Fico preocupado pela ambiguidade das regras que regem a actualidade, faz-me lembrar o tempo em que as leis não eram escritas e em que quem detinha o poder de julgar e penalizar acabava por deter todo o poder.
O que acontece em Darfur é inadmissível, é um crime público contra a humanidade, e faz falta um poder judicial com competência para acusar os responsáveis. Infelizmente os EUA são os maiores adversários do TPI, que tanta falta nos faz.
Não era suposto evitar que se repetisse o que aconteceu no Ruanda? Deve a Europa permitir que isto aconteça? Onde estão as forças de intervenção rápida? Se vamos ter uma super potência que de uma forma ou outra dominará o mundo, que seja uma com princípios. Criem a porra da Força de Intervenção Rápida da UE e ajam no Sudão, na Serra Leoa, na Colômbia, nas Filipinas, na Chechénia, na Libéria.
Devemos dar o exemplo da acção, mesmo que militar, mas dentro da legalidade através do TPI e da ONU.
2004/07/13
Iraque pede colaboração da NATO para policiamento das fronteiras
Era este o título de uma notícia no Publico.
Parece-me que até o novo gorverno iraquiano, que foi nomeado pelos Estados Unidos, tem mais juízo do que a administração Bush. Era expectável que o governo Iraquiano tivesse dificuldades em criar a sua própria força militar e que a saída do exécito Americano se adiasse indefinidamente, prolongando a situação de ocupação, apesar de o governo já ter afirmado que os Estados Unidos estão no Iraque por convite... A ajuda militar é necessária e urgente, mas a quem recorrer?
À Liga Árabe? À União Europeia? À Russia? A quem? Nenhum destes candidatos parece uma boa solução para a geneticamente modificado Iraque pós-Sadam, nenhum lhe daria garantias de isenção e de eficácia. Mas a NATO tem assumido cada vez mais o papel de prestadora de serviços à ONU, portanto, tem legitimidade para operar num país soberano sem que independência desse país seja posta em causa. A maioria das tropas presentes neste momento no Iraque são da Nato, mas não têm mandato da ONU, agem na ilegalidade.
Quando o Iraque pede a intervenção da NATO é provável que esta peça autorização à ONU, é também provável que esta, por sua vez, dê à NATO um mandato para o Iraque. Desta forma a situação fica perfeitamente legitimada, o governo limitou-se a resolver um problema já existente, encerra definitivamente a situação de ocupação em que se encontra e ajuda o seu amigo George W. Bush.
Se houvessem decisões destas noutros locais do mundo...
O passo seguinte seria a entrada do Iraque na NATO, aí a Coligação poderia finalmente dizer que fez algo de positivo, pela paz no mundo.
Parece-me que até o novo gorverno iraquiano, que foi nomeado pelos Estados Unidos, tem mais juízo do que a administração Bush. Era expectável que o governo Iraquiano tivesse dificuldades em criar a sua própria força militar e que a saída do exécito Americano se adiasse indefinidamente, prolongando a situação de ocupação, apesar de o governo já ter afirmado que os Estados Unidos estão no Iraque por convite... A ajuda militar é necessária e urgente, mas a quem recorrer?
À Liga Árabe? À União Europeia? À Russia? A quem? Nenhum destes candidatos parece uma boa solução para a geneticamente modificado Iraque pós-Sadam, nenhum lhe daria garantias de isenção e de eficácia. Mas a NATO tem assumido cada vez mais o papel de prestadora de serviços à ONU, portanto, tem legitimidade para operar num país soberano sem que independência desse país seja posta em causa. A maioria das tropas presentes neste momento no Iraque são da Nato, mas não têm mandato da ONU, agem na ilegalidade.
Quando o Iraque pede a intervenção da NATO é provável que esta peça autorização à ONU, é também provável que esta, por sua vez, dê à NATO um mandato para o Iraque. Desta forma a situação fica perfeitamente legitimada, o governo limitou-se a resolver um problema já existente, encerra definitivamente a situação de ocupação em que se encontra e ajuda o seu amigo George W. Bush.
Se houvessem decisões destas noutros locais do mundo...
O passo seguinte seria a entrada do Iraque na NATO, aí a Coligação poderia finalmente dizer que fez algo de positivo, pela paz no mundo.
2004/07/09
Novo governo
O Presidente da Republica decidiu pedir à maioria parlamentar para formar um novo governo após a saída do anterior primeiro-Ministro para assumir o lugar de presidente da Comissão Europeia.
Penso que decidiu bem. Para que quem votou nos neo-liberais se arrependa ainda mais do que já está, mais dois anos farão mais pela esquerda portuguesa do qualquer campanha eleitoral.
E escrevo isto sem uma ponta de ironia.
Penso que decidiu bem. Para que quem votou nos neo-liberais se arrependa ainda mais do que já está, mais dois anos farão mais pela esquerda portuguesa do qualquer campanha eleitoral.
E escrevo isto sem uma ponta de ironia.
2004/05/22
Excesso de velocidade
Todos sabemos a quantidade de acidentes que ocorrem nas estradas portuguesas, têm havido várias campanhas de sensibilização nesse sentido e a comunicação social faz-nos lembrar dessa realidade com frequência. Mas o que é feito para evitar os acidentes e as mortes?
Tolerância zero?!!! Acho que é uma das maiores hipocrisias da nossa república. A tolerância não deve existir nunca, tem que haver responsabilização dos cidadãos que se comportam de uma forma criminosa e assassina. Se alguém faz a IP5 a 180 km/h devia ser penalizado por isso, sem tolerância alguma, nunca.
As leis até são bem pensadas e teoricamente protegem-nos destes perigos. Nas estradas localizadas em povoações o limite é de 50 km/h, a essa velocidade um carro em boas condições deve conseguir parar em segurança perante um imprevisto qualquer. Mas a lei não é cumprida, e de uma forma generalizada e impune. Se houvesse um agente de autoridade por cada cidadão a controlá-lo e a garantir que a lei era respeitada, tínhamos um sistema eficaz, mas esta solução é incomportável por razões óbvias. Mecanismos de controlo automáticos, como os radares, seriam outra solução eficaz, mas o custo, para o estado, de cobrir todas as estradas por radares é impeditivo.
Depois de dedicar algum tempo cogitação a este tema, penso que uma solução viável passa pela acção dos nossos legisladores, nacionais ou comunitários, no sentido de obrigar a que os veículos comercializados tenham limitadores de velocidade. Muitos dos fabricantes já têm tecnologia que permite a implementação desta solução, e até comercializam veículos com essas características, embora com o objectivo de tornar a condução mais cómoda e não mais segura.
Quais seriam os efeitos práticos desta solução? Os acidentes continuariam a ocorrer, sem dúvida alguma, mas as suas consequências não seriam tão devastadoras. Embater a 120 km/h não é o mesmo que embater a 190 km/h.
Claro que a verdadeira solução está nas cabecinhas dos condutores. O automobilista é muitas vezes egoísta, vê a estrada como um autódromo, e tem interiorizada uma noção de irresponsabilidade que grassa pela nossa sociedade.
Mas a noção de irresponsabilidade é tema para outro artigo.
Tolerância zero?!!! Acho que é uma das maiores hipocrisias da nossa república. A tolerância não deve existir nunca, tem que haver responsabilização dos cidadãos que se comportam de uma forma criminosa e assassina. Se alguém faz a IP5 a 180 km/h devia ser penalizado por isso, sem tolerância alguma, nunca.
As leis até são bem pensadas e teoricamente protegem-nos destes perigos. Nas estradas localizadas em povoações o limite é de 50 km/h, a essa velocidade um carro em boas condições deve conseguir parar em segurança perante um imprevisto qualquer. Mas a lei não é cumprida, e de uma forma generalizada e impune. Se houvesse um agente de autoridade por cada cidadão a controlá-lo e a garantir que a lei era respeitada, tínhamos um sistema eficaz, mas esta solução é incomportável por razões óbvias. Mecanismos de controlo automáticos, como os radares, seriam outra solução eficaz, mas o custo, para o estado, de cobrir todas as estradas por radares é impeditivo.
Depois de dedicar algum tempo cogitação a este tema, penso que uma solução viável passa pela acção dos nossos legisladores, nacionais ou comunitários, no sentido de obrigar a que os veículos comercializados tenham limitadores de velocidade. Muitos dos fabricantes já têm tecnologia que permite a implementação desta solução, e até comercializam veículos com essas características, embora com o objectivo de tornar a condução mais cómoda e não mais segura.
Quais seriam os efeitos práticos desta solução? Os acidentes continuariam a ocorrer, sem dúvida alguma, mas as suas consequências não seriam tão devastadoras. Embater a 120 km/h não é o mesmo que embater a 190 km/h.
Claro que a verdadeira solução está nas cabecinhas dos condutores. O automobilista é muitas vezes egoísta, vê a estrada como um autódromo, e tem interiorizada uma noção de irresponsabilidade que grassa pela nossa sociedade.
Mas a noção de irresponsabilidade é tema para outro artigo.
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